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Sobre a Legionella

A bactéria do género Legionella, para além de se encontrar em ambientes aquáticos naturais, pode também colonizar os sistemas artificiais de abastecimento de água, nomeadamente as redes prediais de grandes edifícios, sempre que se verifiquem condições favoráveis à sua proliferação, tais como:

  • Existência de nutrientes na água (biofilmes);
  • Estagnação da água (grandes reservatórios, tanques);
  • Fatores físico-químicos (temperatura, pH, corrosão das condutas).

Dos fatores que influenciam a colonização das redes prediais dos grandes edifícios há que destacar a temperatura da água (condições ótimas de multiplicação bacteriana entre os 20 a 45  ̊C) e o pH (que pode oscilar entre 2.0 e 8.5)
Investigações laboratoriais demonstram que o agente da infeção se encontra preferencialmente na água quente sanitária, torres de refrigeração, condensadores de evaporação, humidificadores, nos aparelhos de aerossóis ou em fontes decorativas. O risco de infeção depende de diversos fatores:

  • Condições favoráveis de proliferação;
  • Mecanismo de disseminação (ex: aerossóis de água contaminada em torneiras, chuveiros e fontes);
  • Inoculação do organismo de uma forma possível de causar infeção. A infeção transmite-se por via aérea (respiratória), através da inalação de gotículas de água (aerossóis) contaminadas com a bactéria. É importante referir que não se transmite “pessoa a pessoa”, nem pela ingestão de água contaminada;
  • Virulência específica da bactéria. Estão identificadas mais de 40 espécies da bactéria, sendo a Legionella pneumophila aquela que apresenta maior virulência e que está associada com, aproximadamente, 90% dos casos da doença dos legionários.

 

Suscetibilidade do hospedeiro.

A pneumonia constitui a manifestação clínica mais expressiva da infeção. Surge, habitualmente, de forma aguda e pode, nos casos mais graves, conduzir à morte. A doença atinge preferencialmente indivíduos adultos com mais de 50 anos (duas vezes mais homens que mulheres), sendo muito raro em indivíduos com menos de vinte anos. Como grupos de risco destacam-se: fumadores e indivíduos com doenças crónicas debilitantes (alcoolismo, asma, diabetes, cancro, insuficiência renal). Não se dispõe de vacina contra a doença dos legionários.
A doença dos legionários é, deste modo, uma pneumonia bacteriana grave que implica a adoção de medidas de alerta e intervenção sempre que ocorra em espaços ou empreendimentos abertos ao público.

 

Novos casos de doença podem surgir sob a forma de:

  • Caso esporádico: um só caso ocorrido num utente que frequentou o empreendimento nos 10 dias anteriores;
  • Caso associado: ocorrência de 2 ou mais casos que ocorram separadamente em período superior a 6 meses;
  • Surto: ocorrência de 2 ou mais casos que ocorram separadamente em período inferior a 6 meses;

 

Situação em Portugal

Em Portugal a doença dos legionários foi descrita pela primeira vez em 1979 (boletim da Organização Mundial de Saúde). Posteriormente foram identificados casos associados, maioritariamente, a viagens e alojamento em unidades hoteleiras. À semelhança de outros países europeus, a doença associada a viagens assume maior expressão em zonas e locais turísticos.

Em novembro de 2014, ocorreu um surto da doença dos Legionários no concelho de Vila Franca de Xira provocando 375 infetados, com 12 óbitos (de acordo com o relatório oficial do surto, comunicado em 15/12/2014), tendo sido considerado o 3º maior surto da doença no mundo. O surto teve origem numa torre de refrigeração de uma unidade fabril do concelho.

Em novembro de 2017, ocorreu um surto da doença dos Legionários no Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental, no Hospital de São Francisco Xavier. Este surto provocou 56 infetados, com 6 óbitos e teve origem numa torre de refrigeração.

Em janeiro de 2018, ocorreu um surto da doença dos Legionários no Hospital CUF Descobertas em Lisboa provocando 15 infetados e teve origem na rede de água quente sanitária.

Em outubro de 2020, ocorreu um surto da doença dos Legionários nos concelhos de Matosinhos, Vila do Conde e Póvoa do Varzim que provocou 88 infetados e 9 mortes.